A relação entre hormônios e transtornos psiquiátricos

A saúde mental e a saúde reprodutiva estão profundamente conectadas, embora muitas vezes sejam tratadas como temas separados.
Mulheres que fazem uso de métodos contraceptivos hormonais frequentemente relatam alterações no humor, oscilações emocionais e sintomas psiquiátricos que podem interferir diretamente na qualidade de vida.
Mas o que pode estar por trás dessas alterações?
Como os hormônios contraceptivos impactam o funcionamento do cérebro e do sistema nervoso?
Para responder a essas perguntas, é necessário entender como os hormônios sexuais interagem com neurotransmissores cerebrais e influenciam processos mentais fundamentais como o humor, a cognição e a regulação emocional.
Este artigo aborda as principais evidências científicas sobre a relação entre contracepção e a saúde mental, destacando tanto os possíveis benefícios quanto os riscos associados ao uso de contraceptivos hormonais.

Dra Talyta Vasconcelos é médica ginecologista com mais de 10 anos de experiência
- –Membro da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo)
- –Mestre em Tecnologia e Saúde pela UEPB
- –Especialista em laserterapia e radiofrequência íntima
- –Pós-graduação em Sexualidade
- –Professora da disciplina de Ginecologia da Universidade Federal de Campina Grande- PB

Quem sou eu?
Com muito carinho, venho me apresentar: sou a Dra. Talyta Vasconcelos!
É com alegria que compartilho minha trajetória. Sou graduada em Medicina pela renomada Universidade Federal de Campina Grande – PB e tive a satisfação de concluir minha residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Barão de Lucena – PE. Além disso, fui agraciada com a oportunidade de realizar meu Mestrado em Tecnologia em Saúde pela UEPB – PB.
Atualmente, me dedico a compartilhar minha paixão pelo cuidado e pela saúde da mulher como professora substituta na disciplina de Ginecologia na Universidade Federal de Campina Grande – PB. No meu consultório, atuo na ginecologia geral, focando nas cirurgias ginecológicas e em métodos contraceptivos de longo prazo, como dispositivos intrauterinos e implantes hormonais, além das cirurgias estéticas íntimas.
Estou aqui para cuidar da sua saúde íntima com todo o carinho, atenção e delicadeza que você merece. Vamos juntas nessa jornada!
Áreas de Atuação
Além de realizar consultas e exames de rotina ginecológica para mulheres de todas as idades, a Dra Talyta tem experiência nas seguintes áreas:
- Tratamento do HPV
- Cirurgias ginecológicas
- Laser íntimo
- Implante hormonal contraceptivo
- Inserção de DIU hormonais e não-hormonais
- Tratamento da menopausa
- Sexualidade Humana
- Prevenção e tratamento de câncer do colo do útero
Além disso, a Dra. Talyta realiza os exames de Papanicolau e Colposcopia em seu consultório

O papel dos hormônios na regulação do humor
Os hormônios sexuais femininos, especialmente o estrogênio e a progesterona, desempenham papéis fundamentais na regulação da atividade cerebral. Eles influenciam neurotransmissores como:
– Serotonina
– Dopamina
– Ácido gama-aminobutírico (GABA)
substâncias químicas diretamente envolvidas na regulação do humor e na estabilidade emocional.
Estrogênio e bem-estar emocional
O estrogênio está relacionado a um aumento nos níveis de serotonina, neurotransmissor essencial para a sensação de bem-estar e para a prevenção da depressão. Quando os níveis de estrogênio estão elevados, muitas mulheres relatam melhora no humor, aumento da energia e maior estabilidade emocional.
No entanto, sua queda abrupta pode estar associada a episódios depressivos, como ocorre na síndrome disfórica pré-menstrual (TDPM) e na menopausa.
Progesterona e a sensibilidade emocional
A progesterona, por outro lado, pode ter um efeito mais variável. Esse hormônio está envolvido na regulação do GABA, neurotransmissor que promove relaxamento e redução da ansiedade.
Entretanto, algumas mulheres são mais sensíveis à progesterona e experimentam sintomas como irritabilidade, oscilações de humor e sensação de depressão durante fases do ciclo em que esse hormônio está elevado.
Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM)
O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é uma forma grave de tensão pré-menstrual (TPM) que afeta uma parcela significativa das mulheres em idade reprodutiva.
Diferente da TPM comum, que pode causar leve desconforto, o TDPM está associado a sintomas intensos que impactam negativamente a rotina, os relacionamentos e a qualidade de vida.
Os sintomas do TDPM incluem:
- Depressão severa e crises de choro;
- Ansiedade extrema e ataques de pânico;
- Irritabilidade e agressividade;
- Sensibilidade emocional exacerbada;
- Fadiga e dificuldade de concentração;
- Alterações no apetite e no sono.
O uso de contraceptivos hormonais pode ser uma opção terapêutica para o TDPM, pois estabiliza os níveis hormonais e reduz as oscilações que desencadeiam os sintomas.
No entanto, nem todas as usuárias respondem de maneira positiva a esses medicamentos, sendo necessário monitoramento médico para avaliar a melhor abordagem e ajuste, caso necessário.

Impactos da contracepção hormonal na saúde mental
O impacto dos contraceptivos hormonais na saúde mental varia de mulher para mulher, dependendo de fatores como predisposição genética, histórico psiquiátrico e resposta individual aos hormônios sintéticos. A seguir, apresentamos os principais efeitos relatados em estudos científicos.
Possíveis benefícios
- Redução dos sintomas da TPM e do transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM): Ao estabilizar os níveis hormonais ao longo do ciclo, os contraceptivos podem minimizar oscilações de humor severas associadas a esses transtornos.
- Menos oscilações emocionais: Algumas mulheres relatam um maior equilíbrio emocional ao eliminar as mudanças hormonais naturais do ciclo menstrual.
- Diminuição da ansiedade em certos casos: Alguns estudos sugerem que a progesterona sintética presente em alguns contraceptivos pode ter um leve efeito ansiolítico para certas usuárias.
Possíveis riscos
- Maior risco de depressão e ansiedade: Estudos apontam que usuárias de contraceptivos hormonais, especialmente adolescentes, apresentam maior incidência de diagnóstico de depressão e uso de antidepressivos.
- Risco aumentado para transtorno bipolar: Mulheres com transtorno bipolar podem ser mais sensíveis às alterações hormonais e apresentar um aumento nos episódios depressivos ou maníacos.
- Maior propensão a sintomas de irritabilidade e labilidade emocional: Algumas usuárias relatam que o uso de contraceptivos aumenta sua sensibilidade emocional, causando maior irritabilidade e instabilidade.
Alternativas para as mulheres sensíveis aos hormônios
Para mulheres que apresentam efeitos colaterais negativos com contraceptivos hormonais, existem alternativas seguras e eficazes:
- Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre isolado ou cobre e prata: são métodos não hormonais que evitam a gravidez sem interferir nos níveis de estrogênio e progesterona.
- Métodos de barreira: Preservativos masculinos e femininos oferecem proteção eficaz sem afetar o equilíbrio hormonal.
- Métodos comportamentais: O monitoramento do ciclo e a abstinência periódica podem ser opções viáveis para algumas mulheres, apesar de não podermos considerar como métodos contraceptivos confiáveis, uma vez que, a taxa de falha (índice de Pearl) é alta nesse tipo de escolha.
- DIU Hormonal: Contém uma quantidade menor de hormônio, por conter apenas o progestágeno, podendo causar um menor impacto sobre a saúde mental do que os contraceptivos orais combinados.
A importância do acompanhamento médico
Cada mulher responde de maneira única aos contraceptivos hormonais, por isso é essencial um acompanhamento médico para monitorar o impacto do método escolhido na saúde mental.
É recomendável que, ao iniciar ou trocar um método contraceptivo, a paciente mantenha um registro dos sintomas emocionais e físicos para identificar padrões e possíveis alterações prejudiciais.
Para mulheres com histórico de transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade, a escolha do método contraceptivo deve ser ainda mais criteriosa.
O uso de contraceptivos hormonais pode ser uma ferramenta valiosa para muitas mulheres, mas também pode representar um desafio para outras.
A chave está no acompanhamento profissional e na personalização da abordagem para garantir o bem-estar integral.
Conclusão
A relação entre a contracepção e a saúde mental é complexa e multifacetada. Enquanto algumas mulheres experimentam estabilidade emocional e redução de sintomas negativos, outras podem enfrentar desafios significativos.
O mais importante é que cada mulher tenha acesso às informações baseadas em evidências científicas e possa contar com profissionais de saúde para auxiliá-la na melhor escolha para seu corpo e sua mente, como o médico ginecololgista e o médico psiquiatra.
Dessa forma, é possível encontrar um equilíbrio entre a saúde reprodutiva e o bem-estar emocional, garantindo uma vida mais saudável e plena.
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